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Lisbon, Portugal (Oct. 30, 1999)

A nossa infância

Posted By: Diogo Neto/João Rodrigues <[email protected]>
Date: Friday, May 26 2000, at 2:27 a.m.

Srs. José Francisco e Ricardo Antunes:

Sempre tentámos esconder as vicissitudes que atormentaram as nossas vidas, mas, perante os factos por vocês relatados, somos obrigados a dar as nossas explicações que penso, nos ilibarão de todo o mal por nós causado.
Depois de uma infância conturbada, saltando de orfanato em orfanato, com diversas passagens pela Casa do Gaiato de Pombal, resolvemos os dois descobrir a vida. Tornámo-nos cavaleiros solitários, escapámos da casa do Sr. Padre Armindo aos 10 anos. Aos 11, furtávamos máquinas de lavar a loiça, para revenda posterior numa banca da Feira Popular, em Lisboa. Aos 12, viciámo-nos em Super Cola 3® (nunca experimentem!). Aos 13 anos, após um mal sucedido assalto a uma papelaria, tudo isto para fazer face ao nosso vício, fomos colocados no Centro de Correcção Infantil de Paços de Ferreira, onde aprendemos a ser homens entre os burlões, e onde igualmente, como resultado do nosso vício, perdemos grande parte da nossa dentadura inferior, estando nós ainda à espera de vez para consultar o médico do Centro de Saúde da Quimigal. Portanto, não desespere, Sr. Ricardo Antunes, que nos próximos seis meses o nosso mau hálito que tanto o incomoda estará pelo menos, disfarçado.
Aos 18 anos, depois de termos aprendido a arte da marcenaria, deixámos o Centro, tendo-nos fixado na zona de Leiria, onde nos temos dedicado a uma vida que roça o ilegal, mas que na realidade, é bem pior que isso. Sim, é verdade, burlámos o Centro Paroquial das Chãs, tendo vendido à Instituição 30 Cristos, alegadamente em gesso, mas sendo estes na realidade de esferovite, o que gerou um problema na missa, dada a proximidade de uma vela.
Mas sim, é verdade, o Sr. João Rodrigues foi mais longe. Conseguiu burlar o programa "Quem quer ser milionário?", já que chegou à pergunta dos 25.000 Cts, sendo já nessa altura considerado um génio por todos, com uma enciclopédia de bolso, estrategicamente no tampo da mesa do concurso.
Portanto, como podem ver, todas as nossas acções malévolas, calculistas e permeditadas têm uma explicação lógica: o nosso crescimento foi adulterado durante os seus diversos estádios. Perdoem-nos, por favor.
Respeitosamente,

Diogo Neto Dalton (cela 315, bloco D, Estabelecimento Prisional de Alcoentre)
João Rodrigues Dalton (quarto 216, Sheraton Hotel, Lisboa)

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